Tokenização pronta a servir de colateral
Emitir um token é um problema resolvido. O valor está agora naquilo que um ativo consegue fazer depois da emissão — sobretudo, se pode ser dado como colateral para obter liquidez sem ser vendido. Isso tem de ser previsto no desenho desde o primeiro dia.
Porque não basta emitir
A maior parte dos ativos tokenizados é comprada, detida e, mais tarde, resgatada. Do ponto de vista económico, fica parada. A próxima fase do mercado é a utilidade: utilizar uma unidade de participação ou um título de dívida tokenizados como colateral para obter um empréstimo, em vez de os vender. Os mercados institucionais de empréstimo para ativos tokenizados — por exemplo, o Aave Horizon, lançado em agosto de 2025 — existem precisamente para isso.
Mas servir de colateral é uma exigência muito superior à da distribuição. Os mercados de empréstimo on-chain conseguem executar a liquidação forçada de uma posição em minutos, enquanto a liquidação financeira dos ativos tradicionais demora dias. Envolver um ativo num token não elimina, por si só, essa diferença.
Os cinco testes de um token pronto a servir de colateral
| Teste | Suficiente para a distribuição | Necessário para servir de colateral |
|---|---|---|
| Avaliação | Valor líquido global periódico | Avaliação frequente e independente, que um oráculo possa publicar on-chain |
| Resgate | Nas datas de subscrição e resgate do fundo | Uma janela definida, por exemplo de dois a cinco dias úteis, até um montante indicado |
| Liquidez | Apenas emissão primária | Profundidade contratada no mercado secundário ou de balcão (OTC, over-the-counter), ou uma linha de liquidez |
| Estrutura jurídica | Titularidade clara | Transmissão exequível numa venda forçada, confirmada por parecer jurídico |
| Parâmetros de risco | Riscos divulgados | Limites publicados para o rácio empréstimo/valor, tetos de endividamento e um procedimento de liquidação definido |
Um oráculo é um serviço que traz para uma blockchain dados externos a ela, como um preço. O rácio empréstimo/valor (LTV, loan-to-value) é o montante do empréstimo em percentagem do valor do colateral. Um procedimento de liquidação é o processo acordado para vender o colateral se o seu valor descer demasiado.
Que ativos são bons candidatos
Os ativos com cupões, avaliação regular e garantias exequíveis — fundos do mercado monetário tokenizados, crédito privado sénior, obrigações e dívida imobiliária sobre imóveis concluídos — são candidatos naturais. O capital de projetos de promoção imobiliária, os colecionáveis únicos e os ativos sem avaliação frequente são difíceis de utilizar como colateral, por mais atrativos que sejam do ponto de vista comercial.
Como os desenhamos para isso
- Avaliação incorporada — as fontes de avaliação, a periodicidade e a publicação fazem parte do esquema do ativo, prontas para um oráculo.
- Resgate na lógica do token — as janelas, os montantes e os prazos de pré-aviso são aplicados, e não apenas descritos.
- Opções de liquidez — pontos de integração para criadores de mercado (market makers), mesas de negociação de balcão (OTC) ou uma linha de liquidez financiada pelo emitente.
- Exequibilidade jurídica — o token espelha os documentos jurídicos, e o percurso de transmissão numa venda forçada é confirmado por assessores jurídicos.
- Parâmetros de risco publicados — limites de rácio empréstimo/valor, tetos e etapas de liquidação que um credor consegue avaliar em minutos.
Um único núcleo para muitas classes de ativos
O Coretos Ledger utiliza um modelo de dados canónico e esquemas versionados, pelo que estas funcionalidades de colateral são partilhadas por todas as classes de ativos, em vez de serem reconstruídas de cada vez. Os eventos do ciclo de vida podem ser exportados em formatos compatíveis com a ISO 20022, a norma global para mensagens financeiras, quando um parceiro institucional precisa deles.
Tokenização pronta a servir de colateral: perguntas e respostas
O que significa estar pronto a servir de colateral?
Significa que um ativo tokenizado é desenhado para que credores e plataformas o possam aceitar como colateral: tem avaliação frequente, resgate definido, liquidez suficiente, transmissão exequível e parâmetros de risco publicados.
Porque haveria um investidor de pedir um empréstimo dando um token como garantia, em vez de o vender?
Para obter liquidez mantendo o rendimento e a exposição ao ativo, e para evitar o atraso e o custo de resgatar e voltar a investir.
Todos os ativos tokenizados têm de estar prontos a servir de colateral?
Não, mas isso alarga muito o leque de quem está disposto a deter o ativo, e em que condições. No crédito, nas obrigações e nos fundos, é cada vez mais uma exigência dos compradores institucionais.